Texto 2018

FÁBULA O LOBO E O CARNEIRO

Autor: Clara Bernardes, Dácio Coelho, Júlia Azevedo, Lucas Lucas, Luís Mercier, Marianna Azeredo

Lá bem longe, em um lugarzinho distante, depois das colinas do arrebol, havia um vilarejo que era liderado por Seu Cornélio Carneiro. Ele era o responsável por comandar e aconselhar os que lá viviam. Era um carneiro justo e bom.

O seu Cornélio tinha um filho, um cordeirinho atrapalhado chamado Alan. Alan vivia a espiar uma família que morava na outra margem do rio, na aldeia dos Lobões.

Nesta aldeia, existia um ancião que se chamava Seu Lobonildo. Ele era o capitão da guarda responsável pela segurança do grupo, não aceitava indisciplina e nem que seus seguidores fossem fracos ou sensíveis. Um senhor muito rígido, duro e introspectivo. Conhecido por ter um temperamento explosivo escondido em um semblante observador, seu Lobonildo era temido por todos.

Seu Cornélio Carneiro, todas as noites, reunia seu rebanho a fim de ouvir suas necessidades. Com calma e tranquilidade, após ouvir a todos, ele sugeria soluções que eram postas em votação. Alan achava essas reuniões muito chatas, perdia-se muito tempo discutindo, muitos berravam, e muitas vezes não se chegava a nenhuma conclusão. O sonho dele era ser como o chefe dos lobões, forte, rápido e decidido, e não como o seu pai pacato, bonachão e cordial.

Após várias reuniões para decidir o futuro das colinas do arrebol, Seu Cornélio Carneiro foi vencido pelos votos da maioria, e acatou então essa decisão. Naquela noite, voltando da assembleia, Alan confrontou seu pai.

  • Papahahahahahii, você acreditava na sua ideia, neeheheheh?

  • Sim filho, muito...

  • Então por que você foi com a maioria?

  • Porque nós ovelhas e carneiros agimos dessa forma, respeitando os outros e pensando em um bem maior.

  • Você não sabe se impor, e se a maioria estiver errada?

  • Com o erro aprenderemos. Como carneiros e ovelhas assim sempre fizemos

  • Mas eu não pedi para nascer ovelha!!!!!

Nesse momento, Alan deu as costas a seu pai, e saiu furioso. Era o início de uma longa e escura noite de lua cheia, e uma densa neblina pairava sobre as colinas.

Tristonho, passeava pelos campos do arrebol quando foi surpreendido por um uivar conhecido. Era o uivo de Seu Lobonildo.

A neblina já não deixava mais o pobre cordeirinho enxergar duas patas para além do seu focinho. Ele olhava para todos os lados tentando entender onde estava, e de repente, não mais que de repente, eis que surge uma voz.

  • Boa noite meu pequeno! O que faz aqui nessa noite tão escura?

  • Estava explorando os arrebores, humm...E gosto de lua cheia!

  • Mas ovelhas gostam de lua cheia? Vocês não têm medo dos lobos?

  • Eu não, meu espirito é outro. Me sinto como um lobo em pele de cordeiro.

  • É mesmo? Mas me diga uma coisa, na sua “alcateia”, quantos lobinhos você já venceu?

  • Eu venci todos com quem já lutei!

  • Nossa! Então estou conversando com um guerreiro! Nunca esperaria isso do filho de Cornélio Carneiro. Seu pai deve estar orgulhoso!

  • Na verdade não! Meu pai não valoriza isso, para ele eu sou só mais um.

  • Ora vejam só, eu estaria muito orgulhoso, você seria exaltado na minha alcateia.

Nesse momento Alan seguiu Seu Lobonildo até a aldeia dos lobões.

  • Vai dormir Alan Carneiro, amanhã será um looooooouuuu(uivo)go dia...

Enquanto isso Cornélio Carneiro voltou pra sua casa entristecido mas esperançoso que seu filho voltasse logo. Pouco tempo depois, a velha ovelha Ofelia, que morava as margens do rio e adorava cuidar da vida alheia, bateu à sua porta.

  • Seu Cornélio, tudo bem com o senhor?

  • Sim e a senhora?

  • Ah... eu ando meio preocupada, acabei de ver seu amigo Lobonildo rondando a minha casa.

  • Ah dona Ofélia... é mesmo?

  • É sim! E você não vai acreditar com quem ele estava!

  • Diga dona Ofélia...

  • O Alanzinho!

  • Tem certeza que era ele? Tem muita neblina hoje.

  • Ah! Eu tenho certeza, era o Alanzinho!

E pela primeira vez ele se abalou com uma noticia dada pela velha ovelha Ofélia, mas não reagindo a ela, com sabedoria disse:

  • Bom, cada um vai pelo seu próprio caminho...

Amanheceu mais um dia nas Colinas do Arrebol, ouviram-se os tambores na aldeia dos lobões.

“O UIVO RETUMBANTE / DIA E NOITE SEM PARAR / O TRABALHO E MEU LEMA / EU NÃO SOU DE FRAQUEJAR / UM DOIS TRÊS / TRÊS DOIS UM / LOBOS UIVANTES NÃO SÃO PRA QUALQUER UM!” Alan logo de cara se encantou com a aldeia dos lobões, ele viu que os lobos eram muito organizados, práticos, cada um tinha sua função, e todos obedeciam fielmente seu líder. Isso era tudo o que ele sempre quis, ter poder e sucesso.

Sua admiração cresceu ainda mais por Lobonildo quando ele ouviu seu discurso:

  • Hoje é um dia glorioso! Nós não somos como aquelas ovelhas e carneiros medrosos do outro lado do rio. Nós fazemos história. Aqui é ordem e progresso! Queria apresentar a vocês, o lobo que será o futuro chefe do rebanho de nossos amigos da outra margem, o lobo Alan Carneiro, e com isso seremos enfim dois povos e uma só nação. Para concretizar esse ato, tragam o cordeiro que será sacrificado.

Para a surpresa de Alan, o cordeiro que seria sacrificado era um dos seus.

  • Venha Alan, e prove sua valentia, mate este cordeirinho que antes não lhe temia.

De frente do aflito cordeirinho, vendo como ele tremia, Alan estremece diante da maldade que faria.

Estava a um passo de um lobo se tornar, mas que alto preço estava disposto a pagar?

Pensou em seu rebanho, e por tudo que passou, se viu em seu irmão cordeiro, e por eles chorou.

E assim Alan se dirigiu a Lobonildo:

  • Mate a mim e liberte esse meu irmão!

Lobonildo, de duro coração disse:

  • Covardes eu não como não!

Alan e seu amigo, libertos por Lobonildo, atravessaram o rio e para casa voltaram.

A velha ovelha Ofélia, que para variar estava na janela, viu a cena e correu para contar a Cornélio que seu filho desgarrado chegara.

Cornélio Carneiro cheio de alegria convida todo o rebanho para uma festa. No meio da comemoração, do alto das colinas do arrebol, eis que surge Lobonildo salivando de raiva.

Todos na aldeia ficaram apreensivos com a presença do lobo.

  • Onde está Cornélio Carneiro? Quero falar com ele!

A velha ovelha Ofélia então surgiu:

  • Oi querido, quanto tempo não lhe vejo por esses arrebores!

  • Sai do meu caminho sua velha intrigueira!

  • Tá nervosinho? Foi o Alanzinho? Fiquei sabendo que ele te deixou com o rabo entre as pernas hihihi!

Logo, o embate entre lobo e carneiro se travou:

  • Cornélio, eu vim aqui lavar minha honra que foi tirada pelo seu filho! Agora todos na alcateia me chamam de covarde por não ter matado um simples cordeirinho!

  • Você não é covarde por ter praticado o bem...

  • Que bem? O bem do lobo é a sua imagem e força! Eu vim buscar aquele cordeiro que se acha lobo!

Alan, agora consciente de si, apareceu e disse:

  • Aqui não há lobos! Só há ovelhas, e de tantas e unidas que somos, vencemos qualquer um dos lobos! Só é fraco quem quer ser o que não é!

--- Fim ---